A princípio, Amanda sentia apenas um estranho vazio. John estava presente, mas quando o assunto era o futuro, ele parecia desaparecer — mudava de assunto, fazia piadas ou dizia que “ainda não era a hora”. Depois de um ano de namoro, ela finalmente se atreveu a perguntar diretamente:

— Você sequer imagina a gente se casando?

John desviou o olhar e, após uma pausa, respondeu honestamente:

— Não tenho certeza se estou pronto para dar esse passo.

Doía, mas Amanda decidiu não insistir.

E, de fato, alguns meses depois, John a convidou para um jantar romântico. Naquela noite, ele estava excepcionalmente sério. Pegou a mão dela, pediu desculpas por sua indecisão e tirou uma caixinha com um anel.

— Quero passar o resto da minha vida com você. Quer casar comigo?

Ela disse “sim” entre lágrimas de alegria.

O casamento foi exatamente como ela havia sonhado. Amanda acreditava que agora a história real e familiar deles estava começando.

Mas, gradualmente, John começou a sair com mais frequência.

“Parece que você pegou gosto por uma certa cafeteria no centro”, disse ela certa vez, meio brincando. “Starbucks?”

“Só vou lá depois do trabalho. Me relaxa”, respondeu ele, indiferente.

Ele começou a voltar mais tarde; às vezes, cheirava a perfume de outra pessoa e, nos bolsos do paletó, cada vez mais, havia recibos da mesma cafeteria.

“Por que o café é tão caro?”, sussurrou ela.

E então, decidiu ir lá também.

A cafeteria se mostrou elegante e aconchegante. Amanda pediu uma bebida e sentou-se em um canto. Alguns minutos depois, John entrou. Uma jovem loira trabalhava atrás do balcão, sorridente e animada. Eles conversaram de forma muito casual.

Amanda começou a frequentar o local de vez em quando, sentando-se em lugares diferentes. E todas as vezes via a mesma coisa: risos, conversas, olhares que não pareciam “apenas amigáveis”.

Um dia, ela escreveu um bilhete curto:

“Você sabia que o John é casado?”

E pediu a outra garçonete que o repassasse para a mesma barista, Emily.

Naquela mesma noite, Amanda não conseguiu se conter:

— John, eu sei de tudo. Sobre a cafeteria. Sobre a gorjeta. Sobre a Emily. Você está me traindo?

Ele negou. Disse que ela havia entendido tudo errado. Pediu que ela se acalmasse.

Mas a dúvida não lhe dava mais paz.

Quando ele adormeceu, Amanda pegou o celular dele. E quase imediatamente encontrou o contato: “Querido”.

As mensagens não deixavam espaço para ilusões.

A conversa que se seguiu foi curta e fria.

— Eu não posso simplesmente ignorar isso. Você destruiu o que havia entre nós.

Ela foi morar com uma amiga.

John escreveu. Ligou e pediu para conversar.

Eles se encontraram em um lugar neutro e conversaram por um longo tempo. Sobre erros. Sobre dor. Sobre a chance de consertar tudo.

Mas mesmo depois dessa conversa, Amanda entendeu: a confiança não havia retornado. Alguns dias depois, ela disse:

— Pensei. Quero o divórcio.

John ficou arrasado. Mas aceitou a decisão dela.

Separaram os bens, encerraram os assuntos em comum e seguiram caminhos diferentes.

Após o divórcio, Amanda se mudou para um novo apartamento. E para que a casa não ficasse tão vazia, adotou um gato de um abrigo.

E pela primeira vez em muito tempo, sentiu que estava começando uma nova vida. Não perfeita. Mas honesta.